sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

A Noiva do Filho do Dono

Muito bom moço era o filho do dono da papelaria. Aos seus poucos anos de maioridade, era rapaz trabalhador. Desistira de tocar o negócio do pai por vontade de fazer, ele mesmo, sua própria carreira. Trabalhava noite e dia, numa transportadora carregando caminhões e embora o pai lhe oferecesse ajuda, não aceitara mais um tostão sequer depois dos seus dezoito anos. Ainda não começara a faculdade, pois achava um desaforo que a família custeasse seus estudos.

Seu pai, embora o preferisse sob seus próprios olhos, admirava o esforço do rapaz e embora não o apoiasse visivelmente, nutria por ele carinho e aprovação. Fora assim, afinal que este conseguira seu negócio que, embora pequeno, alimentara os cinco frutos do amor com sua senhora.

A senhora esta que era dada aos afazeres de casa e raramente ia à papelaria fora do horário do almoço quando levava a quentinha para seu marido e sua nora, noiva de seu filho tão esforçado.

Linda guria, dos cabelos loiros e rosto corado como uma boneca de porcelana, enfeitava o balcão, atendendo os clientes com polidez, fechando muitas vezes sozinha o comércio e fazendo as entregas de material na escola ao lado.

Semanalmente haviam encomendas da escola, fosse giz, papel, canetas, lápis e qualquer outro utensílio escolar necessário, a guria loira do balcão sempre levava. Entregava em mãos da diretora e marcava em uma caderneta quanto essa devia, para que no fim do mês pagasse a conta.

Era orgulho tanto do pai quanto do filho a moça. Na flor de sua juventude, encantava a todos que a viam passar na rua. Encantara também o professor nessa tarde, quando saíra a diretora para uma reunião de última hora e este fora incumbido de receber o material encomendado.

O professor não era lá um galã de Hollywood, mas tinha em seu jeito educado, porém não exagerado o charme do homem em sua forma pura. Sem afetações desmedidas, mas com uma voz grave e um olhar enigmático chamou a atenção da garota.

Essa sorriu, mas manteve sua discrição, apenas atendo-se ao trabalho a ela incumbido. Marcou, como de costume na caderneta e foi-se pela rua, desfilando os esvoaçantes cabelos loiros.

Havia entre a papelaria e a escola uma casa, e do outro lado da papelaria uma padaria, onde os professores se encontravam para conversar. Daria tudo para que fosse apenas impressão sua, mas a garota sempre notava um rapaz que saía para o quintal quando esta passava em frente à sua casa. Afinal era de se estranhar alguém que lavava o carro religiosamente às sextas feiras em pleno horário de suas entregas semanais.

Naquela tarde, fora à padaria o professor, acompanhado de um colega, o qual também lecionava, e em meio à salários e alunos, a loira começou a fazer parte do assunto. Ele que não a conhecia perguntava ao outro, já mais íntimo das lousas daquela escola qual era a situação desta.

No pouco tempo em que lá lecionava, já eram famosos entre os colegas os contos que se faziam do professor. Homem sério, sem vícios, mas que nutria ímpar encanto pelos terrenos do sexo feminino. Os professores homens apostariam uma perna e um olho que uma professorinha de Ciências, negra bonita com um gingado de mulata nova já havia caído nos encantos e na lábia deste. Ele negava sorrindo.

Com uma malícia lubrificada por um copo de cerveja o colega contou a ele sobre o filho do comerciante. Garoto trabalhador, por quem a menina se apaixonara. Filho de seu patrão, que a buscava toda noite na porta do trabalho e a quem pertencia o par de uma enorme aliança dourada no anular direito da moça. Mas rezava a lenda que este era, embora um rapaz discreto e tranqüilo, demasiadamente ciumento.

O tempo passou sem maiores mudanças. E correu pelo bairro a notícia de que o namorado da garota havia sofrido um acidente em seu trabalho. Caíra da boléia de um caminhão ao carregá-lo e estava em casa, com a perna quebrada. Nada mudou visualmente na rotina da moça. Exceto o fato de que após o expediente esta ia à casa de seu noivo religiosamente.

Numa sexta-feira, porém, quando o filho do dono já estava próximo de se recuperar, o vizinho aproveitou a saída precoce do comerciante e deslizou até a papelaria a fim de cortejar a moça.

Além do fato de que naquela noite, ela não visitou o noivo, o que as bocas maldosas da vizinhança comentavam eram histórias que iam do breve ao explícito. Nada, porém, poderia ser dito desta, afinal se a moça realmente fizera algo, fizera bem feito. A ponto de apenas rumores, mas nenhum fato provado, circularem.

Rumores suficientes para acelerar a recuperação do rapaz e deixá-lo alerta. Como nos outros dias a rotina se manteve, Ele evitou perguntar o que ocorrera. Foi formulando em sua mente planos conspiratórios para atocaiar o Don Juan que expusera suas garras para a noiva, em seu momento de ausência, arranhando sua honra.

Numa noite, sem que ninguém visse, o vizinho voltava da padaria para sua casa, a papelaria já fechada, e o noivo, com os olhos vermelho-sangue surgiu em sua frente querendo satisfações sobre o ocorrido. Este, com uma arrogância desmedida e um sorriso nos dentes dissera que haviam ocorrido mundos e fundos entre ele e a moça.

Tomado da fúria, o noivo não mediu sua força e bateu no rapaz em frente à própria casa do mesmo, a ponto de desfigurá-lo. Ao chegar em casa, deparou-se com a noiva o aguardando e a enxotou, chamando-a de nomes enquanto esta negava chorando tudo o que o outro disse e que ele, agora repetia furioso.

Todavia, o vizinho era filho de um homem influente na prefeitura. O qual, tomando as dores do filho, baixou taxas e caçou a licença da papelaria, levando esta a falência deixando a moça desempregada e fazendo o velho dono voltar ao ofício de gráfico para que pudesse pagar os prejuízos e se aposentasse com dignidade.

Entretanto, a ira é um pecado momentâneo e, depois de um tempo, o apaixonado noivo acabou por perdoar a garota, pois não haviam provas sobre sua traição. Confiou finalmente e cegamente em suas palavras e voltaram à sua velha união, noivando e um tempo depois, casando. Casados, aliás, estão até hoje.

Até hoje também a boca ociosa do povo continua a falar sobre esse caso que agitou as conversas de janela pelo bairro. À boca miúda circulam rumores e hipóteses sobre o caso. Alguns dizem que ela havia ido para casa nervosa e o vizinho contara vantagem para provocar o noivo, apenas. Outros diziam que haviam acontecido encontros secretos e que estes se estendiam até os dias de hoje. Uma sexta-feira, na padaria, os professores continuam tomando sua cerveja. E o professor da voz grave, timidamente diz em voz baixa ao colega.

-Ele eu não sei... Mas eu peguei.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Sniper

Cansada, suava. Estava aliviada, porém. A pilha de roupas estava próxima do final. Seus braços doíam. Os ferros novos eram leves, mas a repetição do trabalho fazia mal para o braço. Todavia, não tinha com o que se preocupar. A pilha já não era tão grande como fora duas horas atrás. Mesmo com a televisão ligada na novela repetida da tarde, passar roupas era sempre um esforço demorado e entediante.
Era enquanto passava uma cueca de seu marido que o telefone tocou.
-Alô.
-Alô. Não se mova.
-Quem tá falando?
-Senhora, não se mova. Sou atirador de elite da polícia e a senhora está em perigo.
-Perigo como? - Virou-se para a janela.
-Não olhe!
-Tudo bem... - Voltou-se para a tábua e colocou suas mãos sobre a mesma. - Posso saber o que está acontecendo?
-Senhora. Estamos em negociação com um atirador de elite que está na janela do prédio em frente ao seu. A arma dele está apontada para a senhora, Como ele pode atirar a qualquer momento estou conversando contigo. No seu prédio já temos um atirador preparado. Caso não possamos pará-lo. Atiraremos.
-Mas por quê isso?
-Estamos tentando descobrir. Foi uma denúncia anônima.
-Mas por quê eu?
-Não sabemos... A senhora tem algum inimigo? Alguma dívida de jogo? Algo do tipo?
-Não... Não tenho.
De certo não tinha. Mas ao ouvir falar de dívida de jogo pensou no marido. Filho da puta, estaria ele se envolvendo com jogos de azar novamente? Saindo com prostitutas. Talvez devendo para alguém da noite. Realmente, havia notado atrasos, cada vez mais comuns. Sem vergonha. Depois de doze anos de casada, morreria ali, com as mãos na tábua de passar, com uma cueca em sua frente. Para quantas vagabundas aquela cueca já não teria descido? As raízes de seu cabelo já estavam aparecendo. Para isso o canalha não tinha dinheiro. Para as putas da rua, porém ele tinha. Trocara o carro recentemente. Ela estranhou. Quando perguntou sobre quanto havia custado, ele apenas respondeu "dei um jeito".
Para trocar a descarga do banheiro que teimava em vazar ele nunca tinha dinheiro, mas "dera um jeito" para conseguir um carro novo. Talvez para desfilar por aí com alguma loira de dezenove anos. É o que os homens fazem. As mulheres têm menopausa. Os homens, aos quarenta querem ter uma menininha, como se fosse um carro novo. Para mostrar pros amigos, para esconder a velhice. Talvez esteja endividado com algum agiota. Tomara dinheiro emprestado para sustentar sua vida de "Beto Rockfeller" e deixara as coisas da casa em segundo plano. Agora ela ia morrer, enquanto isso ele estava em um quarto de motel na Radial Leste com alguma secretariazinha "alpinista social".
Ou será que não? Será que ele havia sido testemunha de algum crime? Ou se estava para ser promovido no serviço e o colega rival, ao invés de ficar até tarde camelando, como o coitado fazia, preferia conseguir sua promoção na bala... Coitado... E o que seria dele sem ela? Ele, que não sabia nem fritar um ovo, mas que conseguia a duras penas pagar as contas da casa, que nunca haviam atrasado. Que a doze anos estava ali, firme e forte, sempre que ela precisou...
Será que ele escondia economias para que finalmente comprassem a casa em Peruíbe que ela tanto queria, e agora alguém estava desconfiado e queria roubá-los. Não entendia nada daquilo. Mas ainda estava lá. Mãos na tábua. A novela acabara e começava um filme.
-Senhora.
-Sim.
-Ele disse que não há negociação. Vai atirar.
-Atira nele então, merda!
-Estamos tentando conversar. Atrasar um pouco. Pra ver se conseguimos invadir o quarto e capturá-lo vivo, para prendê-lo.
-E enquanto isso eu corro risco de vida?
-A senhora pode ficar tranquila. Só não olhe para a janela.
-Por que não?
-Pra que ele não perceba nada estranho.
-Estou a meia hora com uma mão na tábua e um telefone na outra. Isso já não é estranho o suficiente?
-Sim... É... Mas ele parece não ter visto nada de errado. Ainda está esperando.
-Esperando pra me matar? Atira nesse viado, merda!
Um tiro se ouviu. Outro logo em seguida. A mulher caiu no chão. Sentiu sua perna doer... Queimar... Olhou para baixo. Era o ferro que tinha caído quando ela se jogara no chão. Olhou em volta, tudo no lugar. A janela intacta. Pegou o telefone.
-Mataram ele???
-Senhora... qual o número do seu apartamento?
-45...
Silêncio.
-Está tudo bem. O atirador foi morto pelo nosso soldado. Desculpe o transtorno, não sei nem o que dizer...
-Diga homem! O que aconteceu?
-Cometemos um erro terrível... Não sei nem como explicar...
-Não erraram não... estou bem aqui, podem ficar tranquilos...
-A senhora sim, mas... Como posso dizer... Bom... Por um acaso conhece algum familiar da mulher do apartamento 54?

Era pra ter sido...

Grande parte de nossas vidas são de contemplação e observação. Mesmo que nem tudo o que se observe se contemple e, assim sendo, muitas coisas sejam contempladas sem se observar, essa história vi de perto, acompanhei e pus minhas mãos à obra quando necessário.
Era eu, afinal, um dos poucos que tinha a paciência necessária para ele. Uma pessoa difícil, talvez negligenciado pelos pais e discriminado pelos colegas. Sempre nutri um certo afeto por esse tipo, como nutro ainda hoje. Ele pouco falava sobre os assuntos recorrentes das rodinhas descoladas da escola. Não ouvia rock indie ou lia goethe e nietzsche. Não era íntimo das revoluções que os vanguardistas tanto falavam. Não era ateu, era católico. E ser católico num meio desses era como ser vascaíno em fla-flu. Era a escória da escória. O lixo que passava pelos corredores como um fantasma enquanto os arautos do socialismo desfilavam seus all stars...
Ela também era normal demais para uma escola que formava as cabeças pensantes. Ela não queria ser uma cabeça pensante. Se conformava em ser um braço trabalhador se isso pudesse dar de comer à sua prole, garantisse a prestação de um carro popular e não a deixasse cair no aluguel. Tinha sonhos modestos, não pretendia ser uma daquelas pessoas que saiam em jornais, revistas ou aparecia na TV. Era negra, católica e morava na periferia da cidade. Tinha consciência que nesse mundo, o básico é a vitória máxima. E sonhava básico.
Também a ela eu nutria um certo apreço. Gente boa e honesta, daquelas que não falava mal da gente por trás. Daquelas pessoas que facilmente admiram a gente e que dá gosto estar do lado. Eu não era dado às vanguardas escolares. Até porque, do dinheiro que meu pai me dava todo mês, não sobrava dinheiro para camisa do Che Guevara e as boinas eram muito caras. Uma vez rasguei uma manga de uma camiseta preta. Achei que ficaria bom. Perdi uma boa camiseta.
Meio que por acaso ambos se conheceram, estávamos em uma roda de pessoas normais, o que funcionava como uma espécie de gueto em meio ao regime socialista vivente. Nós, filhos de operários éramos quadrados demais em comparação àqueles que fariam o socialismo fashion. Nos escondíamos num canto do pátio, tínhamos nosso charme, porém. Ela sempre estava por perto. Ele não.
Falávamos de coisas sem importância. Falávamos sobre a dificuldade de se entrar em Faculdade Públicas, as quais foram feitas para quem precisava, e justamente quem tinha como pagar entrava. Era assunto também falarmos de música... Música normal mesmo... Ouvíamos no disc man. Evitávamos que nos ouvissem escutando Djavan... O fato de nossos problemas domésticos serem parecidos também nos fazia próximos. Pais desempregados. Mãe professora, ganhava pouco... Pai operário... Funcionário Público das partes baixas do organograma... Tinha um do nosso grupo que sonhava ser médico. Ríamos. Não tenho mais contato. Espero que tenha conseguido, mas conhecendo o mundo como conheço, imagino que seja enfermeiro hoje em dia.
Numa dessas conversas, percebi o garoto sentado em um banco, sozinho. Com medo do que os vanguardistas poderiam fazer com ele, chamei-o para participar de nossa conversa. Já pensava no impacto que um "bullying" fashion poderia fazer a ele.
Imaginava ele sentado ouvindo as pessoa o chamarem de "Cafona", "Clichê", "Escravo da Mídia" e outros nomes tão escabrosos. O via correndo pelos corredores, chorando. No dia seguinte estaria de all star vermelho e camisa dos Strokes, seu cabelo no formato da bunda do Tio Patinhas e lápis no olho. No pescoço um lenço vermelho. Tiraria uma foto preto e branca só de seu olho e colocaria em seu msn. Danos irreversíveis. Suo frio só de imaginar.
Enquanto nosso papo sobre o preço do trem continuava a todo vapor, pude sentir no ar a frequencia de um flerte que se formava. Ele comentava sobre as aulas de catequese que ajudava a ministrar na paróquia próxima à sua casa. Ela falava sobre os ensaios do ministério de música. Cantava na banda de sua comunidade. Aos poucos, monopolizavam o assunto. Eu e os outros olhávamos, mas deixávamos. Eram ambos boas pessoas. Católicos, classe média baixa, moradores da periferia e principalmente, humildes, em contraposição à arrogância tão comum.
Nas semanas que se passaram, eu e uma amiga tentávamos persuadí-los a tentar algo.
Ela, no princípio não se interessara mais do que fraternamente pelo rapaz. Ele, se assustara com o simples fato de cogitarem ele com uma menina que, segundo ele, era "fenomenal". Com o tempo ela se acostumou com a idéia. E todos percebiam que ali havia algo. Algo que crescia.
Chegou um dia então que ambos queriam que algo acontecesse. Ele porém tomado pela vergonha deixou passar a oportunidade. Todos nós ficamos decepcionados. Seriam um ótimo casal. Pessoas de bem, trabalhadoras, com sonhos básicos. Afinal os sonhos altos e egoístas são os algozes de muitos relacionamentos. Não era o caso. Ela se sentiu humilhada.
Tentei conversar com ela. Seu orgulho, porém, era resoluto. Não haveria mais chance.
Ele chorou quando lhe dei a notícia. Não mais teria chance.
O tempo passou, e nunca mais a vi.
Vi o rapaz, um ano depois, todavia. Havia se assumido homossexual e era agora uma pessoa feliz com a vida e realizado.
Sem homofobia, afinal, vi sinceridade em sua felicidade. Mas nada me tira da cabeça que a indiferença dela foi o que fez dele gay.


quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

A Impossibilidade de se pensar filosoficamente..

Fazem quinze minutos desde que inaugurei esse blog com um post sobre mim, o qual ainda acho que não foi o post "inspirado" que seria o ideal para uma inauguração.
Esse segundo post também não tem esse intuito. Ele não é fruto de um "insight". É um pensamento meio solto, porém útil, tendo em vista que grande parte dos bons textos vêm do pensamento filosófico. Aquele que nos faz pensar no porque das coisas. O pensamento que fez com que chegassem à conclusões como a de que a terra era redonda, ou de que esta girava ao redor do sol. Sempre foi a curiosidade que moveu o pensamento, e por conseguinte as pesquisas e descobertas.
Sem idéia para um post genial, sentei-me e fiquei olhando em algo para dissertar sobre. Logo vi uma toalha. Ótima idéia, pensei. Um pano que puxa água é uma idéia fenomenal. O que será que acontece com ele para que isso ocorra?
Em dois minutos, entre google e wikipedia descobri. São fibras de pano que puxam a água. Ela, depois seca e está pronta para sugar mais água...
Não mudou minha vida em nada. E eu continuo aqui procurando idéias...

Dezoito, Denovo...

Inconveniente, para alguns desnecessário...
A verdade é que sequer sei como cheguei a esse ponto. Talvez tenha sido ao perceber o quão nocivo pode ser para a mente e para a saúde fazer algo que não se gosta. Ou depender disso.
Por mais que com dezessete eu pensasse em um dia ser um grande artista. Eu tinha uma vontade enorme de dar aulas. Assim como tinha vontade de estudar letras.
Passei cinco anos rodando de um lado para o outro. Experimentando toda sorte de desvareios e desilusões que a vida podia me proporcionar. Agora, me vejo com dezoito anos novamente. Estudando para vestibular, ouvindo as mesmas músicas que ouvia, assistindo os mesmos filmes, pensando da mesma forma. Até os vícios que esse tempo me proporcionou têm perdido a graça. Posso dizer que é mais ou menos como se eu voltasse no tempo mas com consciência e malícia.
Pretendo fazer tudo da forma certa. Voltei a ter o hábito da leitura. E estou revivendo o hábito da escrita novamente. Espero que esse blog me acompanhe durante essa nova fase da minha vida. Que seja uma válvula de escape para as ansiedades e as idéias que insistem em aparecer e fugir tão repentinamente...
Um brinde a essa nova etapa.
Salut!